31 de dezembro de 2008

Valorizar o Outro


Fazendo uma retrospectiva pessoal a respeito do ano de 2008, posso afirmar, sem espaço para incertezas, que foi um ano marcante e bastante significativo. 2008 se configurou em um ano de mudanças importantes em minha vida, de concretizações, de sonhos antigos que se fizeram reais, de surpresas boas...

Lançando um olhar para trás, consigo ver que sentimentalmente também houveram mudanças. Talvez algo mudou no sentido de perceber o outro. Ao longo desse ano posso destacar um único acontecimento triste, mas que me fez pensar sobre a importância da rede que tecemos, e que infelizmente, na grande maioria das vezes, não conseguimos cuidar com todo o nosso coração.

Em novembro eu e meus colegas de turma perdemos uma grande pessoa. Alessandro era daqueles colegas que somavam, estava sempre com uma expressão tranquila e sua marca registrada era o sorriso. Eu não tinha um contato mais direto com ele, trocamos algumas palavras em algumas situações e uma única vez fui falar com ele espontaneamente, a respeito de uma cantora por quem nós dedicávamos uma imensa admiração. Bem... mas voltando ao sorriso... Durante os momentos que seguiram à sua morte, onde todos se encontravam fragilizados, as imagens que eu não conseguia parar de visualizar correspondiam àquelas inúmeras vezes em que ao olhar para trás ou para os lados, encontrava Alessandro sorrindo, e quando não estava sorrindo, rapidamente tratava de esboçar aquela expressão alegre e serena tão conhecida por todos. Para mim, foi isso que ficou... Não o conheci intimamente, tão pouco soube mais sobre a sua vida, mas compreendi algo: que aquele sorriso era importante em minha vida, em minhas noites na faculdade, porque fazia parte, era um detalhe na teia de relações, no cenário da vida, e agora há uma lacuna.

A lacuna serviu para que eu pudesse refletir sobre a importância do outro, e não somente aquele outro próximo, os outros que fazem parte de nossa vida, às vezes quase que invisivelmente, e que esquecemos de tê-los como importantes... Compreendi que tudo está no seu devido lugar, que cada pessoa, mesmo aquelas que passam por nós, o colega distante, o vizinho, a pessoa que fica na catraca da faculdade, pela qual eu passo quase que todos os dias da semana inúmeras vezes, faz parte de minha vida e eu da sua, mas somos desconhecidos... Porém, com a sua falta, talvez eu o perceba, assim como tantos outros pelos quais agora, tento, embora nem sempre consiga, dizer uma palavra, fazer um agradecimento, fixar o olhar por mais de um segundo... Às vezes um pequeno gesto é importante para que possamos sentir o outro, os outros tantos, que com maior ou menor intensidade fazem parte de nosso mundo, ou melhor, são o nosso mundo.

Têm pessoas que são extremamente importantes para mim, e que não sabem disso, que me encantam, que me tocam, por uma sutileza qualquer, às vezes apenas pela sua presença silenciosa, porém tão conhecida por mim.

De uma forma ou de outra, a triste perda do colega querido ensinou-me sobre isso... que o amor não tem de ser um sentimento reservado, dirigido a poucos, não tem de ser um sentimento elitizado em nossa escala de valores... Talvez ele possa ser o próprio fluxo que nos orienta pelo cotidiano a fora!

Em 2009, quero poder exercer com mais empenho o verbo que venho por dar mais valor a cada dia, CUIDAR. Que possamos ser mais cuidadosos com nós mesmos, com nossas relações, com o ser humano, com todas as preciosidades que explodem silenciosamente à nossa volta e que talvez nosso olhar viciado não nos deixe perceber. Sensibilidade para que isso possa acontecer, compreensão, elevação de sentimentos... é o que desejo, espero e acredito para o novo ano!

Um comentário:

Mr. Cortex disse...

Sheila, gostei tanto deste texto que tive de encaminhar o link para a turma. ((((:
Abração!!