28 de agosto de 2009

Nunca mais

No início dessa semana, na faculdade, eu e minhas amigas/colegas conversávamos sobre relacionamentos, experiências, etc... Essas coisas que chega a ser terapêutico compartilhar com amigas... Chegamos a um ponto em que retornamos aos nossos primeiros relacionamentos, lá na adolescência, e não por acaso acabamos rindo e dando gargalhadas sobre um aspecto curioso, e que infelizmente, parece continuar acompanhando mulheres de todas as idades, o medo de ficar sozinha.


As risadas se deram quando paramos para pensar que já no nosso primeiro relacionamento, ou até antes dele, esse monstrinho já habitava nossos pensamentos e, por favor, não é a coisa mais absurda que uma menina de quinze anos acredite que pode ficar sozinha nesse mundo, sem nunca encontrar uma pessoa legal para compartilhar seus sentimentos???


Mas como e por que esse aspecto torna-se algo presente e significativo na vida de alguém, impedindo muitas vezes que consiga se desvencilhar de relacionamentos prejudiciais? Sim, eu sei que existem milhares de motivos e questões implicadas aí, desde pura insegurança, o que é normal quando estamos começando a encarar os primeiros envolvimentos no campo das relações amorosas, desde patologias que inviabilizam significativamente a vida de uma pessoa ou casal. Mas, não quero tomar esse viés, e sim, de uma forma mais descomprometida abordar essa questão feminina (e talvez masculina?) que geralmente está lá guardadinha nos recônditos dos principais motivos de sofrimento e insistência nas relações já falidas.


Por mais que a revolução feminina e a nova situação em que hoje as mulheres se encontram contribuam para uma independência em vários setores da vida, assim como novas atitudes, não é difícil que cheguem aos ouvidos mais atentos a presença desse medo, dessa angústia de uma solidão sem fim. Mas, o que me parece preocupante e talvez seja esse o motivo pelo qual escrevo sobre esse assunto aqui, é que essa crença, talvez estimulada pela baixa autoestima, impede que milhares de mulheres inteligentes, divertidas, bonitas e cheias de entusiasmo para viver uma relação da forma que acreditam (mas, claro, sem idealizações exageradas) percam oportunidades de conhecerem pessoas, fazerem amizades interessantes, pelo fato de manterem uma relação que não lhes traz mais felicidade alguma. Não digo que se deva desisitir de alguém que se gosta na primeira dificuldade ou desentendimento, não é isso, mas aquela frase que diz "antes sofrer acompanhada do que só", isso sim, considero um grande erro.


Claro, sobre a nossa conversa lá na faculdade, hoje temos a nossa aparente maturidade dos 30 ou quase isso, e torna-se mais fácil identificar essas coisas e tomar uma posição de enfrentamento diante da vida, mas sabemos que não é assim tão fácil... O que acaba nos surpreendendo é essa ideia paralizante persistir e ser mais forte, pois se olharmos a nossa volta... Será? Será mesmo que podemos ficar sós? Será mesmo que nunca, mas nunca mais esbarraremos em alguém interessante e disposto a estar ao nosso lado? Isso realmente soa bastante estranho e sim, me parece uma ideia absurda.


Por isso, meninas (e meninos), confiem na capacidade e na possibilidade de viverem o que gostariam de viver e reflitam sobre essa ideia de solidão, pois que ela às vezes já está presente e nem se desconfia. Não deixem que o tempo passe e seja preenchido com uma vivência que não acrescenta nada de bom às suas vidas. O sofrimento existirá, sempre (e muitas vezes independerá de se estar só ou com alguém), mas depois, a recompensa por ter se dado a chance de se conhecer e de saber o que se quer, faz com que seja muito mais fácil viver a dois de uma forma saudável, verdadeira e que enfim, sinta-se de fato que não se está só.

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