15 de outubro de 2009

Um caso de amor

Desconfio sobre haver disposição ou intensidade o bastante em minhas palavras para que me sinta em plena capacidade poética e então possa escrever sobre minha relação com os livros.

Ah, eu poderia dizer muito sobre isso mas, confesso, seria demasiado complexo, ou no mínimo extenso. Sendo assim, prefiro deter-me mais especificamente sobre meu comportamento como leitora, sem querer abordar aspectos quanto à frequência, escolhas e/ou interpretação de uma leitura, mas sim em relação ao ato de ler, momento em que me vejo ausente para o mundo externo, o mundo real.


Têm livros que sabem conquistar, parece que me abraçam com seus braços-páginas, além de serem convidativos a uma relação que pressupõe, digamos assim, um caso de amor. Tratam de oferecer o que se pode esperar de uma relação dessa ordem; apaixonam-me, fazem com que eu possa sorrir e chorar, acolhem-me, descobrem-me e me deixam abandonar-me em suas páginas.


Quando não são capazes de me tocar profundamente ou despertar os sentimentos esperados pelas minhas expectativas vem a decepção, e eis que passam alguns dias fechados, sem que recebam a minha atenção. Mas, então, uma segunda chance, e qual não é minha surpresa ao perceber que na maioria das vezes a culpa é mesmo minha que não pude ser receptiva, ou compreender o que tinham a me oferecer naquele momento.


Nós brigamos, mas nos amamos em nossa doce intimidade. Só não posso prometer-lhes fidelidade, já que esse amor que me oferecem, só faz com que eu queira buscar outros mais.


Dependendo o que eles me dizem ou de como estou a lhes escutar, a paixão torna-se incontrolável e assim me pego doida a lhes acariciar. Ao abandoná-los rumo a um outro amor, lhes deixo marcados por minhas carícias: riscos, símbolos, marcações e por vezes até mesmo palavras tatuadas em suas peles. Carícias que concordam, destacam, exaltam, demarcam; índices de alguém que ao final, já não sabe se concedeu ou recebeu amor. Amor inesgotável, berço de eterna insatisfação.

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