3 de maio de 2013

Não quero ser um ser sentado






Andar de bicicleta não é um hábito em minha vida, talvez eu nem queira que se transforme em um, pois que de hábitos, querendo ou não, já os tenho em doses suficientes. Porém, aos poucos, tenho me dado esses presentes: pedal para os pés, direções para as mãos, vento para o rosto e algumas vezes, o prazer da companhia... Momentos que abrem um parêntese em meu dia, na rota um tanto viciada. Sempre que a pequena aventura começa e termina, eu penso em um parêntese; como algo que se abre para acolher o momento e que após se fecha para guardá-lo. Depois a vida volta, a vida rota... Um tanto renovada, respirada! No intrigante caminho que percorro em meus dias, hoje contidos pelas experiências "psis", pelas experiências do pensar, do repensar, do elaborar, do compreender, da abstração que quase me escapa e eu corro para alcançá-la, a direção é outra ao pedalar; é o esquecer que se faz presente, é a ousadia do improviso, é só dar uma volta, na dureza das coisas, na mesmice das coisas, é ser um pouco a própria coisa, que se mexe, que anda, que vai, que é corpo. Diante das perplexidades que assolam nosso cotidiano, é notável a necessidade de procurarmos linhas de fuga para sobreviver, para estar razoavelmente bem, para não perdermos a dimensão de ser ser-vivo. O interessante é que essa linha de fuga nada tem de fuga, e sim, de voltar, de encontrar algo que ainda mora em mim, uma alegria inocente, uma forma muito simples de sentir a vida, de cortá-la, de passeá-la, de concretizar o ar, de concretizar e ponto. Não quero ser um ser sentado, quero ser um ser sentido, ido, que movimenta, que movitenta, que vai e que vai... até que se perca de vista.

(Sheila Staudt)

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