13 de setembro de 2008



* Introdução às Memórias:

Ultimamente tenho produzido mais, no sentido de redigir textos, a partir das aulas de Antropologia. Desde a primeira aula, o professor pediu que fizéssemos memórias de aula semanais sobre os assuntos abordados em sala de aula, ou então, a partir de algum ponto em especial que tenha chamado mais a atenção do aluno.
Sendo assim, na entrega de minha última memória ele sugeriu que eu socializasse as mesmas, então, a forma que encontrei foi publicá-las aqui no blog...
Sempre procuro fazer mais que uma memória ou um resumo apenas do que foi trabalhado, costumo pegar um ponto chave e relacionar com as leituras que faço, ou então, buscar referências para aprofundar mais o assunto, e tenho tido um aprendizado bastante interessante através de todo o processo, até que os textos fiquem prontos...
Então, as próximas postagens serão essas memórias, as quais transcreverei tal e qual como foram escritas para as aulas.



memória 1 - sobre aula do dia 24 de julho/2008



"As Lições que não sabemos"


A primeira aula de Antropologia Social do semestre, mesmo caracterizada como uma aula mais abrangente, de apresentação da disciplina, possibilitou uma série de reflexões a respeito de diversos aspectos importantes que circundam a antropologia em seu contexto.

Porém, dentro de vários pontos passíveis de discussão que foram lançados em nossa reunião, houve um que para mim sobressaiu-se ao outros, por se tratar de algo que já instigava meus pensamentos anteriormente.

A frase que escolhi como título denota a importância de nos voltarmos com mais atenção para esse ponto que caracteriza o método do estudo antropológico: estudar os grupos minoritários, as manifestações humanas na sociedade "para realmente aprender com eles as lições que não sabemos." (DAMATTA, 1987)

Sempre me questionei sobre os estudos de campo, sobre a forma como muitas vezes esses grupos são apresentados pelas reportagens jornalísticas, sobre as pesquisas, enfim, sobre a maneira e o verdadeiro motivo que levam os estudiosos e pesquisadores a aproximarem-se desses grupos sociais "diferentes" em relação à nossa cultura pós-moderna, que não tão raro consideramos como superior e sendo a ideal em termos de modelo de vida.

Lendo as palavras de Roberto Damatta no prefácio de seu livro "Relativizando - Uma Introdução à Antropologia Social", fiquei imensamente satisfeita por encontrar em palavras impressas e tão bem colocadas esse sentimento que há muito era uma preocupação minha.

O que me parece, muitas vezes, e aí o cuidado para não generalizar, é que a humildade e a vontade de aprender as lições não têm tanta importância quanto ao fato (sendo um pouco dura talvez...) do egoísmo ao tratar seres humanos como objetos de estudo, interessantes pelo fato de serem exóticos e uma série de outras características sempre comparadas à nossa forma de viver.

Ao haver a aproximação de um grupo, de um meio social, acredito que se faça necessário realmente um sentimento de igualdade, mas no sentido de iguais em relação ao fato de sermos humanos pois, entendo que nenhum homem pode servir a outro homem como um fato, um dado a ser desvendado em meio à vaidade e a motivação única e exclusiva de se tratar do "diferente" ou pior, do "inferior".

Uma aproximação, e não que não se possa ter objetivos para que ela exista, deve contemplar sentimentos de troca, de convívio sincero, de verdadeiras preocupações e sendo assim, não encontro palavras mais adequadas do que a expressa pelo autor já citado: "para aprender as lições que nós não sabemos."


Referência Bibliográfica:

DAMATTA, Roberto. Relativizando - Uma Introdução à Antropologia Social. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

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