13 de setembro de 2008



memória 2 - sobre aula do dia 31 de julho/2008 (ver introdução às memórias)



A Questão Humana

A Antropologia apresenta três distinções em relação ao objeto e metodologia de estudo: a antropologia física, que estudará os tipos das raças humanas; a antropologia cultural/social, que estudará sociedades particulares com vista às conexões internas do grupo; e a antropologia filosófica, que vai estudar as dimensões internas dos símbolos na sociedade.

Acredito na importância do estudo de cada uma dessas divisões, porém, fico mais sensibilizada à descrever sobre a antropologia filosófica, principalmente pela questão que esta divisão propõe: "O que vem a ser o ser humano?"

Penso que essa questão humana é de profunda importância no sentido da necessidade de estar mais presente na educação, até mesmo em áreas que são tidas como exatas, também na educação básica, nas pesquisas fomentadas por órgãos governamentais, enfim, as questões sobre o humano não podem continuar tendo uma importância secundária diante de uma sociedade ("falando" da nossa sociedade pós-moderna) tão carente e confusa diante de valores humanos.

Minha escolha pelo curso de Psicologia demonstra de uma certa forma a tendência que me acompanha desde sempre pelas questões relativas ao homem, às relações, à sensibilidade humana...

Percebo, sem dúvida, a relação do estudo da antropologia com aspectos da Psicologia, penso que o olhar sobre a pesquisa antropológica, a experiência etnográfica, será de grande valia para enriquecer o nosso pensamento e postura diante do outro, enquanto profissionais da Psicologia.

Voltando à antropologia filosófica mais especificamente, pretendo conceituar rapidamente essa divisão, além de pontuar o objeto de estudo, seu problema e uma síntese da evolução do pensamento do homem através dos séculos.

A antropologia filosófica investiga a estrutura essencial do homem, procura dar uma interpretação basicamente ontológica do homem, no momento em que conduz à questão do significado do "ser".

Como o próprio conceito já explicita, seu objeto de estudo concentra-se nas estruturas fundamentais do homem. O homem torna-se para si mesmo o tema de toda a especulação filosófica. Estuda também o caráter biopsicológico do homem e tem como método de estudo a reflexão filosófica que parte do princípio do cogito.

A antropologia filosófica coloca o problema do homem no próprio homem, questiona o lugar ocupado pela função racional do homem em comparação com outras funções. Kant propôs quatro problemas filosóficos: "O que posso conhecer?", "O que devo fazer?", "A quê posso aspirar?", "O que é o homem?"

A visão do homem sobre ele mesmo mudou ao longo do tempo, pelo fato do homem trans formar a sociedade e ser transformado por ela.

Na antiguidade o homem encontrava-se em conexão com a natureza, com o "cosmos";
Na idade média o homem era membro da "ordem" emanada de Deus;
Na idade moderna o homem firma-se sobre si mesmo, há uma ênfase no racionalismo, individualismo. "Homem é o centro de tudo".
Na contemporaneidade o homem passa a ser objeto de estudo, surgem novas ciências dispostas a compreendê-lo. Esse homem é caracterizado plo materialismo, é um homem sem referências, distanciado da natureza, à procura do seu "eu".

Através dessa breve evolução do pensamento do homem fica mais claro o fato da importância das ciências humanas na atualidade, para que o homem possa conhecer-se em várias dimensões e possa reconstruir, refletir valores que foram abandonados ou transformados no curso da história, e construir novos, de acordo com as necessidades do seu "ser" atual.


Referência Bibliográfica:

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2006.


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