13 de setembro de 2008


memória 3 - sobre aula do dia 07 de agosto/2008 (ver introdução às memórias)

Cultura e Sociedade


Do ponto de vista do senso-comum, cultura provém da instrução escolar, da criação de obras de arte, ciência e filosofia, ou seja, da erudição. Porém, dirigindo um olhar mais amplo ao significado de cultura, compreende-se que se trata de um aspecto essencial da vida humana e que a caracteriza.

"A cultura é instituída no momento em que os humanos determinam para si mesmos regras e normas de conduta que asseguram a existência e conservação da comunidade..." (CHAUI, 2006)

Além desse conceito, muitos outros são definidos por diferentes estudiosos e aproveito para utilizar o termo mencionado por Clifford Geertz quando coloca que em relação à cultura existe um "pantanal conceptual", mas mesmo diante de um termo tão complexo e rico, conceitualmente é possível chegar à certas delineações.

A cultura é uma criação do homem que tem como objetivo viver melhor a sua existência e satisfazer suas necessidades. Para isso, o homem constrói símbolos para viver relações, pois a cultura necessita sempre da mediação de um símbolo.

Para CHAUI (2006) "a afirmação de que os humanos são capazes de criar uma ordem de existência que não é simplesmente natural (física, biológica) é a ordem simbólica. A ordem simbólica consiste na capacidade humana para dar às coisas um sentido que está além de sua presença material, isto é, na capacidade de atribuir significações e valores às coisas e aos homens..."

A autora também define a cultura como tendo três sentidos principais:

1- criação da ordem simbólica da lei;
2- criação de uma ordem simbólica da sexualidade, linguagem, do trabalho, do espaço, do tempo, do sagrado e do profano, do visível e do invisível;
3- conjunto de práticas, comportamentos, ações e instituições.

Outra questão sobre acultura é o fato de muitas vezes a confundirmos com sociedade. Na maioria das vezes, em certos aspectos, parece não haver de fato tanta distinção entre o que abrange um conceito e outro. porém, existem fatores significativos que predominam em cada um desses contextos, embora estejam interligados, sejam parte de uma mesma coisa.

Roberto Da Matta, em seu livro "Relativizando - Uma Introdução à Antropologia Social", coloca que uma das principais características da cultura é "uma tradição viva, conscientemente elaborada que passe de geração para geração, que permita individualizar ou tornar singular e única uma dada comunidade relativamente às outras".

Em relação à sociedade, podemos usar o exemplo de algumas espécies de animais para tornar mais clara essa distinção. Entre determinadas espécies existe uma coletividade, divisão de trabalho, de sexos, e uma ordem, porém, não existe consciência sobre a situação de vida que subentende responsabilidade, ou seja, escolha; sendo assim, é possível afirmar que pode existir sociedade sem cultura, mas o contrário não é possível pois, a cultura só se dá no grupo e nunca em um único indivíduo, ela é pública!

Além desse aspecto, de diferenciação entre cultura e sociedade, há uma outra questão importante, o quanto a cultura "molda", oprime o ser humano.

Será que conseguimos viver sem cultura?

Com certeza, nesse contexto de discussão ou questionamento existem duas visões preponderantes. De um lado, sabemos que a cultura é um aspecto essencial para que o homem se relacione e cresça, se desenvolva socialmente. Por outro lado, o homem sofre ao ter que "aceitar" a cultura a qual pertence pois, ela dita comportamentos, ideologias, vivências que se distanciam da espontaneidade. A partir dessa visão acredito que o que resta ao homem "civilizado", cultural, é conhecer a sua cultura, saber o seu lugar dentro desta e tornar-se imensamente responsável pela sua vivência na grande teia.


Referências Bibliográficas:


CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2006.


DAMATTA, Roberto, Relativizando - Uma Introdução à Antropologia Social. Rio de Janeiro: Racco, 1987.


GEERTZ, Cliford. Uma Descrição Densa. In: A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1978.

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