19 de agosto de 2009


Fora de cena

Meus olhos, cortinas que se abrem
para verem o espetáculo que escolho
meus olhos, escravos guiados
do medo, do mesmo, do enfadonho

O que veem é sempre espreitado
pelo pensar já há muito viciado
atores de cenas decoradas
que pedem aplausos por nada

Entre os atos, no intervalo
aquilo que lhes interessa
o homem sentado, estranho
vulnerável, a verdadeira peça

Fechadas as cortinas ficam
nessa hora espetacular
quando frágil ele pensa
no seu papel de agradar

Antes ficassem cerrados
os olhos cortinas no encenar
Para abrirem-se diante do ínfimo
do homem desnudo a me espelhar.

(Sheila Staudt)

3 comentários:

Fernanda disse...

Ouvi de uma pessoa em Nova Petrópolis que temos a obrigação de aplaudir a qualquer um que dispense seu tempo conosco para apresentar algo de seu... graças a parte, esta foi a poesia que mais gostei!
Beijo, Sheila!

Sheila S.S. disse...

hehehe... A pessoa ratifica a afirmação! (: É que esse teatro, o do poema, bem... ele é mais complexo, né!? Obrigada, Nandica! Adoro tuas visitas.

Fernanda disse...

Sim, é mesmo um teatro complexo... e pode ser o mais belo ou o mais feio dentre todos, o que contribui inclusive para me assustar um pouco. Que bom que tu gostou do último post. Desta vez, voltei ao princípio dos meus textos: ironia, ironia e crítica. (devia ser o apogeu da adolescência, hehehe). Obrigada pelo post! Quanto às visitas, a recíproca é verdadeira!