14 de agosto de 2009

Sempre as horas...


Eu já havia assistido o filme "As Horas" (Direção de Stephen Daldry), há alguns anos atrás, mas, confesso, não estava preparada...

Não estava preparada para absorvê-lo e compreendê-lo em toda a sua seriedade e beleza.

Como estou a ler os "Contos completos" de Virginia Woolf, e bastante envolvida com a leitura, resolvi voltar ao filme (que eu tenho em casa), já que a personagem de Nicole Kidman é então, Virginia Woolf.

Eu estava sozinha em casa e a tarde estava tranquila, a atmosfera contribuía para que eu conseguisse "entrar" no filme, e assim, assisti novamente (mas, como se fosse a primeira vez), e conforme as cenas se passavam ficava eu cada vez mais absorta e extremamente afetada pela história dessa obra-prima que é o filme. E como uma criança, que precisa ouvir várias vezes a mesma história para resolver coisas, passado um dia, assisti novamente.

É estranho escrever, falar sobre o filme, sobre as personagens e as suas vidas, pois penso que se trata mais de sentir, e tirar algo. Mas, algumas coisas são possíveis mencionar...

"As Horas" entra no universo íntimo das mulheres, das mulheres como um todo, não somente das três mulheres tão maravilhosamente bem interpretadas no filme. É um filme que fala de resisitir... De resistir à vida, quando algo dentro de si diz o contrário. De resistir às horas...

A angústia e a inadaptação de Virginia e Laura Brown doeram em mim, e me fizeram pensar sobre a essência que carregamos em nós, sobre o teatro em que na maioria das vezes transforma-se uma vida debatendo-se contra essa essência, e até onde se aguenta encená-lo...

Na história Virginia Woolf está a escrever o romance "Mrs. Dalloway", que se funde à vida das outras duas personagens, Laura Brow e Clarissa Vaughan. Laura, duas décadas depois lê o romance e Clarissa, em 2001, representa a própria personagem principal do livro.

Três épocas são retratadas, três mulheres, em apenas um dia de suas vidas. E nesse dia, aparentemente tão comum, seus sentimentos atingem um limite. A vida e a morte traçam uma luta desesperada refazendo a conotação do tempo.

Mas, o mais lindo, é o final que Virginia (ou o diretor?) dá à história, embora ela não tenha conseguido esperar o tempo de sua vida devido à doença mental; nem por isso ela deixa de chegar à conclusões mais que verdadeiras sobre vivê-la. "Não se pode ter paz evitando a vida." Essa frase, dita por ela, ou pela personagem (vida real e ficção são fusionadas), tráz um pouco do sentido que fecha a história do filme.

"Mrs. Dalloway" (Woolf) é o próximo romance que lerei, seguidamente do livro "As Horas" (Michael Cunninghan). Confesso que a leitura de Virginia Woolf tornou-se ainda mais instigante. Também andei lendo sobre sua vida, e assim, uma coisa leva à outra, fazendo com que cada vez mais eu me veja levada por essas histórias que misturam-se umas às outras, e às nossas.

Virginia Woolf entra lentamente no rio, o casaco carregado de pedras no bolso, e um bilhete é deixado por ela...


"encarar a vida de frente...
encarar sempre a vida de frente...
e conhecê-la como ela é.
E depois...
descartá-la.
Sempre os anos que foram nossos...Sempre os anos.
Sempre... o amor

sempre... as horas."

Um comentário:

Fernanda disse...

Sheila!
Caramba, faz tempo que nõa comento... e como eu disse, entrei aquele dia e vi como estou atrasada nas leituras! Mas, enfim... ainda não assisti ao filme e de fato pretendo ler o livro primeiro, mas, pelo que tu fala, acho que vou gostar. Estou lendo aquele teu livro do qual me apropriei e me chamam a atenção as recomendações de sermos nós mesmos, algo muito diferente do que, agora, cremos qeu somos. Novamente, há algo em teus escritos que se relaciona comigo. Fico muito feliz!

Só um PSzinho: tendo idéias para nosso clubinho. Espero que ainda esteja empolgada com a ação. =)